Avicena

Quem foi Avicena?

Avicena (Ibn Sina) 980-1037

Apelidado por seus contemporâneos de al-Sheik al-Rais (“líder entre os homens sábios”), Avicena foi um dos primeiros pensadores da era de ouro da filosofia muçulmana. Ele afirmava que tudo deve sua existência a uma Causa Primeira e que o criador todo-poderoso tinha de ser Deus. Avicena era um polímata. Aos 10 anos de idade, tinha memorizado o Alcorão inteiro, e aos 21 anos era um especialista em todos os campos do saber, incluindo matemática, astronomia, lógica, música e medicina. Segundo sua autobiografia, Avicena baseou grande parte de sua filosofia em uma mescla do que aprendeu pelo estudo e do que acreditava pela intuição pessoal. Como muçulmano, tentou vincular os elementos extraídos dos ensinamentos de Aristóteles e de Platão e conciliá-los com a crença muçulmana de que Deus era o único criador, responsável por tudo o que existiu, existe ou existirá.

As principais contribuições de Avicena para a filosofia foram sua primeira pesquisa sobre a metafísica e quatro imensos tratados enciclopédicos: Livro da cura, Livro da ciência, Livro das orientações e advertências e O julgamento; o último se perdeu. Destes, o Livro da cura foi o mais influente imediatamente. Nele, Avicena apresenta extensas pesquisas sobre lógica, matemática, ciências naturais, música e metafísica, baseando o que encontrara em Aristóteles e em outros pensadores gregos que estudara para elaborar seu argumento de que Deus é a fonte de todas as coisas, a Causa Primeira de onde tudo surgiu. Deus, ele concluiu, é a Existência Necessária.

‘O conhecimento de qualquer coisa, já que todas as coisas têm causas, não é adquirido ou completo, a menos que seja conhecido por suas causas.’

Só há um modo de os seres humanos adquirirem conhecimentos, disse Avicena, e assim chegar a uma compreensão melhor da natureza de seu criador. Isso se consegue pelo uso da razão, aplicando-se os cinco sentidos e usando-se a lógica. Desses, a lógica é a chave para obter o verdadeiro conhecimento e adquirir a compreensão – essencial para saber como verificar se uma proposição é verdadeira ou não. E ele explicava a melhor maneira de conseguir isso pelo uso da inferência formal e, mais importante, silogística. Um silogismo contém duas premissas e uma conclusão. Um exemplo típico é: tudo o que é mortal morre, todo homem é mortal, todo homem morre. O segredo, disse Avicena, é identificar o chamado termo médio, o termo que ambas as premissas têm em comum.

Nesse caso, é “mortal”. Avicena sustentava que, ao obter uma compreensão de tais questões, os seres humanos – ou, pelo menos, alguns deles – podem, finalmente, entrar em contato com o intelecto puro, que é Deus. A influência de Avicena foi imensa. No mundo islâmico, seu trabalho causou um impacto imediato, e também na Europa medieval o conhecimento de suas obras se disseminou – em grande parte pelas traduções de seus textos para o latim, que apareceram pela primeira vez na Espanha –, inspirando os ensinamentos de personagens cristãos influentes, como São Tomás de Aquino.

→ Filosofia de Jeremy Harwood
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