
O Epicurismo. A primeira escola helenística surgiu em Atenas ao final do século IV (306-307a.C.) e já assimilava o sentido da necessidade de mudanças, pois a mesma não se encontrava próxima à ágora (praça pública) localizava-se em um lugar afastado do centro urbano, no campo, num prédio dominado por um imenso jardim (daí Kéros).
As principais teses que orbitavam no cenário epicurista podem ser resumidas nos seguintes itens;
- a realidade é plenamente cognoscível pela inteligência humana (uma crítica aos filósofos que duvidavam da capacidade do homem de perceber a realidade material, especialmente a Platão);
- nas dimensões do real existe espaço para a felicidade do homem;
- a felicidade é a falta de perturbação;
- para atingir essa felicidade e essa paz o homem só precisa de si mesmo;
- não lhe servem a cidade, as instituições, a nobreza e todas as coisas e nem mesmo os deuses: o homem é governado por ele mesmo.
O pensamento de Epicuro é, permeadamente, ético, fundamentado na lógica e na física. A primeira é sumamente importante para determinar os critérios que nos permitem aproximarmos da verdade; a segunda, demonstra a constituição do real, e então chega-se à ética, que, na filosofia epicurista estuda a finalidade do homem, ou seja, a felicidade.
Sobre a física de Epicuro, pode-se afirmar que a mesma está intrinsecamente inspirada pelas doutrinas dos atomistas Leucipo e Demócrito, com leves mudanças em algumas concepções. Para Epicuro, ao contrário de Platão e concordando com Aristóteles, as sensações não devem ser descartadas do campo do saber, para Epicuro as sensações são reais porque pertencem à própria estrutura atômica da realidade.
A física de Epicuro é uma ontologia, isto é, ao refletir sobre a natureza, se reflete, fundamentalmente sobre o SER. Seus fundamentos são; o nada nasce do não-ser e, esse nada se dissolve no nada. Matéria gera matéria. O todo é composto apenas por dois elementos principais: os corpos e o vazio, que nada mais é que o espaço, emancipando-se da noção de não-ser de Platão. É possível observar que para Epicuro a alma é material, composta por partículas sutis.
A ética de Epicuro está baseada nos princípios materiais, pois já que o homem é matéria, sua felicidade está conectada à matéria, assim sendo, seu bem é o seu prazer, e com essa premissa, nasce a teoria do hedonismo epicurista que, está pautada na satisfação dos desejos físicos naturais. Tal satisfação precisa ser contida e nortear a conduta humana, para tanto, necessita renunciar aos prazeres que possam ser geradores de aflições, perturbações e, consequentemente, de sofrimento. Em suma, o homem precisa se auto-dominar.
Para Epicuro, a felicidade é alcançada por duas vias. São elas;
- aponia, que significa a ausência de dor no corpo;
- ataraxia, ausência de perturbação na alma.
E o prazer é caracterizado em três tipos;
- os naturais necessários: por exemplo; comer, beber, repousar, abrigar-se e outro semelhantes;
- os naturais, mas não necessários: comer bem, bebidas fina degustadas lentamente, vestir-se bem, e outros semelhantes;
- os não naturais e nem necessários os quais devem ser evitados, como; o desejo de riqueza, o poder, as honrarias, glória e outros semelhantes.
Por fim, os quatro remédios do sábio são;
- as conclusões inevitáveis da lógica e da física;
- os vãos temores em relação aos deuses e ao além;
- não se apavorar com a morte;
- o prazer está à disposição de todos;
► Metaética
Parabéns pelo resumo. Muito bom!
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Muito obrigado.
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